Em sua palestra, Sebastian Frisch, sócio sênior e um dos fundadores da empresa de consultoria GreenForest Solutions, mostrou, em forma de exemplos, a dimensão do desafio enfrentado por muitos municípios africanos. “Com verbas anuais de US$ 20.000 para a gestão de RSU, provenientes do orçamento municipal, não se paga nem o combustível para a pequena frota dos caminhões de lixo”, explica ele, referindo-se à cidade de Chipata, na Zâmbia. As consequências são visíveis: lixões a céu aberto, poluição ambiental e coleta informal de resíduos em condições precárias. “As famílias tentam encontrar algum material reciclável, em parte, os filhos trabalham nos lixões”, disse Frisch.
Ao mesmo tempo, ele ressaltou que a situação não é idêntica em todos os municípios africanos e, acima de tudo, que os desafios podem ser superados. Nesse sentido, a chamada “Responsabilidade Estendida do Fabricante” (Extended Producer Responsibility - EPR) desempenha um papel importante. O princípio obriga as empresas a assumirem responsabilidade por seus produtos ao longo de todo o ciclo de vida e é extensivo à coleta, reciclagem e tratamento dos resíduos. “Não se trata de um imposto tradicional que estariam obrigadas a pagar. É uma taxa cobrada por um serviço, vinculada a um fim específico”, afirmou Frisch. Explicou que, na Alemanha, essa tarifa gera bilhões de euros por ano que são destinados ao sistema de gestão de resíduos sólidos urbanos.